Domingo, 30 de Agosto de 2009

O QUE EU VI,LI E OUVI...(No meu passeio de domingo)

Olá:

 

Eu sou a esquina, que se situa do lado direito de quem desce a avenida, também conhecida pela esquina do “Reinaldo”, ou do “doce da Teixeira", porque antigamente e ainda hoje em dia, nas festividades, a venda de tal iguaria tem por aqui banca montada.

Hoje fui eu a escolhida pela “chefe”, ou seja, pela esquina não visível, mas que existiu nos meus tempos de menina e moça, precisamente, aquela que nesse tempo se encontrava no local onde agora está a praça de táxis. Foi escolhida, dizia eu, para relatar o que vi, li e ouvi, numa viagem que, em conjunto com as minhas manas, efectuamos no nosso habitual passeio de domingo á tarde.

Partimos do nosso local de observação por volta do meio-dia e aproveitamos para circular pela estrada nacional Nº 2,coisa que há muito tempo não acontecia devido á abertura ao trânsito da A/24. No cruzamento da Cela, seguimos em direcção á aldeia da pedra onde no restaurante com o mesmo nome saboreamos, cada uma, 1/2, boa, dose de leitão, porque em tempo de crise não nos podemos dar ao luxo de comer uma dose completa, pois o rendimento mínimo ,que cada uma de nós recebe, no final de cada mês não pode dar para tudo. Por este facto nós, (esquinas), já decidimos - Não vamos votar no Sócrates nas próximas legislativas, a não ser que daqui até às eleições ele resolva aumentar o nosso subsídio.

Já com os estômagos bem “aviados” partimos em direcção a Lamas, aldeia da Freguesia de Moledo já sem a habitual azáfama, de domingo á tarde, por via de ter perdido a sua equipa de futebol. E foi precisamente na aldeia de Lamas, quando já tínhamos virado em direcção a Soutelo, que deparamos com a imagem aqui inserida. Paramos, olhamos umas para as outras admiradas e em silêncio ficamos, por momentos, a contemplar o novo polidesportivo de Lamas e a lápide ali colocada aquando da sua inauguração, no passado dia 22, ao mesmo tempo que lia-mos em voz baixa o que nela estava escrito.

De repente, diz a minha irmã, aquela que se situa do meu lado direito, também conhecida pela “esquina do gás”: “Como é possível? Foram necessárias quatro mãos e ainda a ajuda de mais duas para inaugurar este campo”?

A minha outra irmã, a conhecida pela “esquina do Café”, sempre alerta e curiosa, retorquiu: “Não é possível! Se as inaugurações ainda forem como eu as conheço, será com uma fita a qual é, posteriormente, cortada por uma tesoura! Portanto, não estou a ver como é que uma tesoura pode ser manejada por quatro mãos”!

No meio de toda esta conversa, digo eu: ” Vejam bem! Além da inauguração ter sido feita a quatro mãos ainda foi necessária a ajuda de mais duas”!

A minha quarta irmã, a tal invisível, olhava para nós, calma, impávida e serena, qual mãe a controlar a traquinice dos seus rebentos e de repente diz: “Vocês não sabem nada! Para a inauguração foram necessárias quatro mãos e ainda a ajuda de mais duas porque a inauguração deste polidesportivo foi feita de uma maneira muito original”! Ah sim, como é que foi então? Perguntamos as três em coro. Simples! Respondeu a minha irmã: “A inauguração não foi feita da forma tradicional de cortar uma fita ou desfraldar uma bandeira. Foi feita através do levantamento da pedra! Tiveram que a passar da posição horizontal para a vertical. Daí a necessidade do emprego de seis mãos! Ou vocês pensam que a pedra é levezinha”?

Pronto, está bem! Não sejas resmungona! Respondemos nós em uníssono como que aceitando de bom grado a explicação dada pela mana.

Quero, desde já, e para que não restem duvidas, dizer que não sou contra este tipo de construções, pois sempre serei a favor de tudo aquilo que, ao ser construído, possa proporcionar uma vida saudável aos jovens e menos jovens. Se a sua utilidade passar, de algum modo, por tirar os primeiros dos caminhos obscuros da vida e de dar aos mesmos a oportunidade de praticar desporto, já valerá a pena a sua construção. No entanto, sou contra o “timing” utilizado no que diz respeito ao momento e a algumas localizações e principalmente pelo facto dos polidesportivos não serem munidos de balneários de apoio e outras infra-estruturas necessárias e indispensáveis á prática desportiva.

Nada de novo, ou seja, nada a que já não estejamos habituados, principalmente nas épocas eleitorais em que a necessidade parece ser sempre a de fazer obra, nunca olhando como, onde ou para quê. Só espero, daqui a uns tempos, não necessitar de escrever nenhum post a falar da má utilização dos mesmos, usando para tal o seguinte título:” o aparecimento de outro tipo de ervas daninhas - os polidesportivos”.

Espero que tais recintos não se venham a transformar em coisas inúteis, cheios de silvas e ao completo abandono. Terá de ser bem identificado e decidido quem virá a ser o responsável pela sua manutenção e conservação.

No entanto, deixo já aqui um apelo, acabem lá a construção daquele que está no calvário. Eu e as minhas queridas manas estamos “mortinhas” por sair do nosso local e irmos até lá acima dar uns pontapés na bola e esfolar os joelhos naquele piso de cimento.

Depois do episódio da inauguração,  seguimos caminho em direcção às Termas do Carvalhal, e ficamos de boca aberta, não sei porque ainda o ficamos, com a completa desertificação, em número de ocupantes/utentes, do parque de campismo. Nós, que até aí, seguíamos caladas e ainda não totalmente convencidas da forma como a inauguração foi feita, eis que uma das minhas irmãs, virando-se para a mana invisível disse-lhe o seguinte: “Mana, tu podes ter razão quando falas na forma como o polidesportivo foi inaugurado, mas quem o fez não teve grande arte nem engenho”! Não? Porque não? Perguntou a minha irmã, um pouco apoquentada com o atrevimento da mais nova. “Porque ao fazerem a inauguração daquela forma, foram dois pares de mãos a menos, para baterem palmas”! Respondeu ela com aquele ar de como quem diz “ agora cheguei p’ra ti”. Foi a gargalhada geral dentro do nosso descapotável com turbo de última geração, que nos transportou de volta á nossa posição de esquina, apesar de trazer um pneu furado e duas jantes (de liga leve) danificadas de tanto terem batido nos muitos buracos que encontramos pelas estradas do nosso Concelho.

Ainda pensamos em ir dar um mergulho á praia da Soalheira, mas dada a condição lastimável da viatura e as noticias que têm surgido relativas á poluição do nosso querido Rio Paiva, optamos por regressar ao nosso local de vigilância. Quando me lembro, que o famoso rio das trutas, já foi considerado o menos poluído da Europa, dá-me uma vontade enorme de chamar uns quantos nomes a quem o poluiu com descargas vindas das estações de tratamento e outras coisas do género.

Como me sinto triste de, pouco a pouco, ser obrigada a deixar de poder frequentar e usufruir de um lugar de tão rara beleza o qual nos proporcionava momentos inesquecíveis durante o verão.

Termino, dizendo que continuarei daqui da minha esquina atento às inaugurações “apressadas”, ou não, que irão continuar a surgir até lá para meados de Outubro e lamentando, desde já, o facto de não poder vir a estar presente em todas elas. Tal facto, tem a ver com o estado de saúde da minha mana do meio a qual, no passeio que realizamos, ao passar pela zona da Ponte Pedrinha sentiu-se mal, chegando mesmo a vomitar. Estamos um pouco apreensivas quanto á saúde dela, porque não sabemos se a mesma vomitou derivado á velocidade do carro nas curvas do Vale de Azia para Castro Daire, é sempre complicado as esquinas adaptarem-se às curvas, se teve algo a ver com o leitão que foi comido ao almoço ou se foi por ter respirado o cheiro aromatizante que se faz sentir naquela zona. Quando tiver novidades sobre o estado de saúde dela, partilhá-lo-ei com todos vós, pois sei que com esta notícia todos terão ficado preocupados.

 

Zé da Esquina

 

publicado por Zé da Esquina às 22:34
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16 comentários:
De castrodarenho a 5 de Setembro de 2009 às 10:57
SNR. 4 ESQUINAS:DOU-LHE DAR UMLOUVÔR POR NÃO SER
COBARDE: POIS DEIXA PUBLICAR , ACEITQANDO
OS COMENTÁRIOS QUE FAZEM AOS SEUS POSTES.
MAS PARA VARIAR UM POCO, E POR QUE O BLOG É DE ESQUINAS, VEIO-ME Á LEMBRANÇA AQUELA CANTIGA QUE DIZIA ASSIM------COMADRE RICA COMA-
DRE , AI EU GOSTO DA SUA PEQUENA. É BONITA,
APRESENTA-SE BEM, PARECE QUE TEM, UMA FACE
MORENA.!!
JUNTARAM-SE OS DOIS Á ESQUINA, ATOCAR A
CONTERTINA, A DANÇAR O SÓLIDÓ.
NÃO ACREDITO QUE TENHA SIDO NUMA DAS SUAS
ESQUINAS, OU SERIA? ! «HUMORISMO APENAS E SÓ»
DO AMIGO FRANCISCO PEREIRA


De João a 2 de Setembro de 2009 às 12:26
Porque será que enquanto os candidatos do PS e Independentes já andam por aí de porta em porta a distribuir cumprimentos e sorrisos e a gente do PSD anda tão calada? Será que estão assim tanto confiantes na vitória? Olhem que optimismo a mais também é mau!


De José a 2 de Setembro de 2009 às 21:52
Ou não têm tempo...


De Voz do povo a 5 de Setembro de 2009 às 13:18
Devem andar a ver se conseguem arranjar mais uns "tachos" para pagar os favores...


De Macário a 17 de Setembro de 2009 às 19:30
Ó pá, é natural, se os desgraçados fazem obra não a podem inaugurar porque são acusados de estarem a fazer campanha. Se não as inauguram vêm vocês dizer que eles estão demasiado confiantes. Afinal em que é que ficamos!?
Já sei... melhor mesmo é não fazer nada, pelo menos sempre se recebe o Rendimento Mínimo (parece que estão em saldos lá pelo Condado de Castro daire), e as esquinas estão sempre cheias de gente. Pelo andar da carruagem em breve não será necessário policiamento nas ruas de Castro Daire. :-)


De Anónimo a 1 de Setembro de 2009 às 15:39
Tanto se criticava antigamente o regime do salazar por passar a vida em inaugurações! Até havia quem apelidade o Américo Tómás de corta-fitas. Acho eu que agora a politica está a ficar igual. Só muda a forma. Deixou de ser com uma tesoura.


De Alexandre a 1 de Setembro de 2009 às 15:32
Por acaso quando vi a foto num site, falei com uma amiga sobre o mesmo, pois é a lapide de inauguração mais original que vi até hoje.
Agora pergunto: Quem bateu as palmas?
Lamas ainda vai se tornar um centro de romaria para se ver tal fenómeno. Irão fazer o mesmo nos outros campos?


De Anónimo a 31 de Agosto de 2009 às 23:33
Sr Zè da Esquina:
É facil dizer-se que se é adepto de principios ....
Mais dificil é praticá-los....
Porque não diz de onde retirou a fotografia que inseriu neste seu post?
Esqueceu-se da máquina fotográfica?, ou nem fez a referida viagem?
O seu a seu dono...


De Zé da Esquina a 1 de Setembro de 2009 às 00:07
Senhor desconhecido (para nós esquinas, não tão desconhecido como isso, pois é fácil imaginar quem seja).
Pode acreditar, que a viagem referida no post aconteceu na realidade e tudo o que nela é transcrito é a mais pura das verdades. No entanto, e por isso temos que nos penitenciar, não contamos uma catástrofe que nos aconteceu. A máquina fotográfica (digital da mais elevada tecnologia), com os buracos, chamá-los-ei até crateras, quando viajava toda refastelada no banco de traz, caiu e partiu-se aos bocados. Como não queria privar os leitores de tão “bonita imagem”, resolvi pesquisar na Net uma foto alusiva ao evento. Depois de muito pesquisar, consegui encontrar a foto aqui inserida, num blog cá do burgo, o qual por norma é usado para publicitar e comentar tudo aquilo de onde possam vir votos para um determinado partido político. Será verdade ou, teremos apenas a impressão?

Zé da Esquina


De AZ a 2 de Setembro de 2009 às 23:17
E assim se partiu o verniz das esquinas .... da máquina, é claro.
Já agora, o banco de trás, traz, mas atrás.


De Zé da Esquina a 2 de Setembro de 2009 às 23:49
Senhor AZ, em primeiro lugar quero dar-lhe os parabéns pelo bonito e comprido nome que tem.
Em segundo lugar dizer-lhe, também, que gosto de pessoas com humor, principalmente quando esse humor é usado, como foi o caso, de uma forma inteligente.
Finalmente em terceiro lugar, permita-me que discorde com a maneira como se refere á palavra traz e trás. O engano não foi meu, nem do teclado do computador. Eu escrevi exactamente aquilo que queria escrever, ou seja foi no banco de traz, porque era num banco de trazer…por casa!

Zé da Esquina



De castrogema a 8 de Setembro de 2009 às 15:55
Ó Zé
Diz-me, em que esquinas estás?
Por mais que procure no sítio onde tu dizes que vês tudo, eu só vejo 3 esquinas...
A do gás
A do café e
A do Reinaldo
Será que não sei contar ?
E já agora , acho que andar a ver mal, não andas a ver, nem a contar, tudo o que se passa !!!!!
Ou será que astás a ficar discreto !!!!
Vê lá abre-me esses olhos !!!

castrogema


De Aurélio a 31 de Agosto de 2009 às 22:35
São os milagres próprios da época......
Não é a natalicia,mas também se dão presentes...


De Atento a 4 de Setembro de 2009 às 11:33
É mais a "fruta da época"!!!
Vê lá se não tens de dar uma esmolinha p'ra daqui a uns tempos destruirem os presentes envenenados.


De Vos do Povo a 31 de Agosto de 2009 às 22:25
Quero dar os parabéns pelo excelente passeio que as "4 esquinas" fizeram no passado Domingo, mas fazer um pequeno reparo porque numa foto da dita inauguração só se vê um rapaz com a bandeira na mão como aparecem três nomes na placa???? Será milagre???
http :/ 4.bp.blogspot.com _6ch4Pfd0vIw SpBm5UuMqgI AAAAAAAAADQ q4EGh6vkNf8 s1600-h PICT0292.JPG


De Voz do povo a 31 de Agosto de 2009 às 23:01
O Link que devem visitar :http://4.bp.blogspot.com/_6ch4Pfd0vIw/SpBm5UuMqgI/AAAAAAAAADQ/q4EGh6vkNf8/s1600-h/PICT0292
Referente ao comentário anterior.


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